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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A CULPA É DO ARROZ!!



Ontem depois de quase 20 dias, resolvi assumir o comando do novo fogão! Esperei o Manfredo chegar determinada a ir fazer as comprar necessárias... De panelas as mais diferentes matérias prima para essa aventura gourmet. Nossa semana em Doha começa com o domingo, ou seja, na minha ingenuidade pensei que seria uma boa ir ao mercado no final da tarde, algo como segunda feira a noite no Brasil... Doce engano! Como esse povo adora uma rua, aqui não existe diferença entre dia e noite para compras e mais compras!
Mas tudo bem, já estava lá então coragem e vamos nessa, de cara me deparo com um jogo de panelas e olha daqui procura outra dali, escolhi uns dois e claro o Manfredo argumenta: - veja esse aqui tem mais peças e o preço é equivalente a esse outro. Retruco: - tem muita panela ai, nunca vou usar tudo isso! Procuramos mais um pouco e claro, seja feita a vontade do marido! Estou até agora pensando quando e para o quê vou usar tantas panelas grandes... Nem nos tempos de Ideali em São Paulo!
Conseguimos sair dos corredores de utensílios e vamos para o que interessa... Alimentos! Logo de cara me deparo com o tamanho das embalagens dos produtos aqui, tudo tamanho família (não, não uma família pequena como a nossa!) são as grandes famílias, aqui como no Brasil, pagamos mais caro por comprar menos. Bem, pega uma coisa, pega outra e fizemos a primeira parada mais cuidadosa, chegamos aos temperos, um paraís, me limitei a comprar os básicos de costume, melhor deixar os excessos para quando comermos fora.
Eis que chegamos onde eu queria o corredor do ARROZ, nunca pensei que esse cereal seria capaz de tirar minha paciência e meu humor tão rapidamente... No fundo acho que já estava com fome também! Vocês tem ideia da infinidade de tipos de arroz que se encontra nesse lugar? E o tamanho dos pacotes? Pego um pacote tento descobrir alguma coisa, deixo na prateleira, pego outro e o mesmo ritual... Até que olho pra Manfredo e meio frustrada digo: -podemos só comer macarrão? Afinal nem feijão tem aqui, pra que arroz? Ele ri, eu me irrito e continuo a procura, eis que para minha alegria encontro o Uncle Ben's... Ah! Agora ficou mais fácil, que ilusão! Tinha tipos diversos e descartei um e também outro, depois os de pacote grande e por fim separo um lá, o Manfredo disse leve o de 1kg, olhei o preço e era quase o dobro, cheia de razão pego o pacote de 2kg, nossa como sou esperta! Minha amiga Edjane diria que é coisa de pirangueiro... ahaha.
Bem depois de ter perdido quase uma hora para comprar um pacote de arroz, peguei o que faltava e não via a hora de sair daquele lugar que continuava lotado, com carrinhos e mais carrinhos de compras.
Hoje acordei cheia de coragem para organizar as minhas panelas e fazer uma comidinha caseira tudo de bom. Comecei por tirar as panelas da caixa, compramos elefante por camelo, elas são enormes, como couberam naquela caixa tão compacta? Posso montar uma entrega de marmitas aqui no flat... Só vendo pra crer, depois de lavar e deixar tudo pronto fui fazer o almoço. Quando abro o pacote de arroz, que decepção! Ele é bege, o Manfredo diria que é marrom... Algo entre arroz integral e in natura com casca... Tudo bem era ele ou ele ou não teríamos almoço. Confesso que fiz todas as outras coisas e deixei por último o famoso arroz... Mas até que ficou com carinha boa, mas e o cheiro? O que fazer com ele? Aff! 
Depois das 15 horas (nosso novo horário de almoçar) o Fred chegou da escola e fomos comer... Ele muito alegrinho: - nossa que cheiro bom de comida de mãe nessa casa! Servi o prato e ele sarcasticamente diz: - mãe, esse arroz você trouxe de Recife? É da mesma cor do arroz que servem em alguns restaurantes lá.
Me limitei a ouvir e não responder até que por fim ele diz: - e tem um cheirinho também, você não acha? Respirei fundo e lentamente usei as palavras do meu sobrinho Orlando: - Come aí moleque! Completei rapidamente: - Que mania boba essa sua se respirar enquanto come, só sente o cheiro do arroz se por acaso respirar! 
Ah! Tenha dó!! Fiz de tudo e esse arroz querendo me derrubar desde ontem! Devia ter ouvido o Manfredo e comprado o pacote mais caro e menor, ou seja, ainda vamos nos encontrar!
Para saber mais sobre arroz uma dica de leitura:






terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

NOVAS CONQUISTAS - DOHA


Hoje sem dúvida vivi uma experiência inusitada e no fundo divertida, era dia de fazer os exames médicos pra a renovação do visto, um lugar diferente, onde homens e mulheres ficam totalmente separados, em resumo um SUS só para mulheres. Bem, nem Fred e nem Manfredo para me salvar dessa vez, teria que usar meu mais puro inglês tupiniquim, então que assim seja, ENTREI!
Fui até o primeiro balcão, de cara uma moça de trajes típicos quis passar na minha frente, mas com um sorriso no rosto entreguei os documentos na frente dela na cara de pau e pra minha surpresa a atendente ainda reclamou com a moça e me deu a senha antes...primeiro obstáculo vencido!  Sigo então para outra mesa, ela preenche um papel e me pergunta meu nome, respondo, repito, ela tenta repetir... não consegue, tudo bem não entendi nada que estava no crachá dela, fica elas por elas! Volto pra sala principal aguardando a senha no painel eletrônico, várias seguranças colocando ordem e repetindo cada número chamado, eu fiquei de pé por um tempo até que uma das seguranças fala alto comigo (isso se repetia sempre que vagava um lugar): sister, sit down! Como tinha uma moça com criança no colo, fiz sinal para ela sentar, quando a segurança grita comigo novamente: SISTER, SIT DOWN!  -Ok! Ok!! Já sentei, percebi que é vc quem define a preferência aqui!
Chamaram meu número que fui até o guichê rezando para não ter que falar nada! Ufa, consegui! Sigo até o balcão para coleta de sangue, foi tudo tão rápido que nem percebi que ela já tinha coletado... Agora a sala de espera do raio X, sim, aquela boa e velha abreugrafia...só quem entrou na faculdade até os anos 80-90 conhece era obrigatório. Quando me deparo com a sala cheia e fui até o balcão, ainda não sei bem por que fui até lá, eu não ia entender muita coisa mesmo, mas perguntei no meu bom e velho mimiques se era ali o RX...e a moça sorridente diz: no sistema! E mais um monte de coisa que não entendi -Ah!! It’s ok!!  Ahaha.
Sentei ao lado de todas as outras e esperei, uma russa que fez o mesmo caminho todo tempo comigo se animou a conversar e já foi me avisando que não falava inglês...perfeito eu tbm não! Será um papo perfeito... Ahaahah Mas ao menos entendemos que deveria demorar, pois estavam sem sistema...como a coisa é bem organizada(mesmo no caos), vc faz sempre as coisas próximo as mesmas mulheres e nesse caminho umas indianas, tailandesas eu não sei ao certo, estavam em 3 e me olhavam muito todo o tempo...mas tudo bem eu tbm estava maravilhada com a diversidade ali, acho que sem lenço no cabelo só eu, a russa e uma inglesa que chegou bem depois e queria passar na frente(mas esperou bem quietinha). Passado um tempo começam a chamar para o tal RX, a fila era sentada e as 3 mulheres que me olhavam, ficaram sentadas atrás de mim, até que uma delas me cutuca e diz: Hi miss! O resto juro não entendi, até que percebi que ela queria pegar no meu cabelo...e eu meio sem jeito disse: it’s ok...ela amassou meus cabelos e olhando para as outras disse: a soft hair!! Até que as outras tbm tiveram que pegar e repetiam a frase...queria um buraco enorme para me atirar! Que mico! Acho que fiquei da cor da roupa de uma delas. Eu sorri e agradeci! As pessoas ao lado tbm sorriam, na verdade acho que riam da minha cara....tudo bem!
Passado o trauma do cabelo, escuto a segurança falar algo e quando percebo era comigo (que pânico!)...ela queria que eu passe para fileira de trás para que uma moça de trajes típicos sentasse no meu lugar...olhei bem séria para segurança e soltei um sonoro: NO!NO!NO! Peguei a senha mostrando que estávamos todas meio juntas...não sei por que ela desistiu. Bem consegui resolver tudo que precisava, acho que valeu!